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24 de junho de 2019

Laços

Era o terceiro dia de verão, mas o céu adivinhava-se cinzento e chuvoso, assim como os pensamentos que teimavam em baralhar os seus sentidos, e inundar as boas memórias que se esfumavam por entre as brigas e desapegos que os separaram.

2 de setembro de 2018

Aos pais dos nossos filhos


Quando nos gritam para ter calma, porque vos chamámos três vezes, lembrem-se que antes de chamar por vocês, mantivemos a calma por 3456 vezes com os nossos filhos. 

Quando nos dizem que estão cansados para ir às piscinas, acreditem que nós estamos tão ou mais cansadas que vocês, e mesmo assim queremos aproveitar o tempo em família.

5 de junho de 2017

Auroras

A madrugada termina com a claridade do nascer do sol a entrar pelas frestas da janela do quarto. Deixo a pequena a dormir na cama e vou ver o nascer do sol à varanda. As cores quentes do céu contrastam-se claramente com o frio matinal que se impõe numa manhã que podia ser como outra qualquer. O chilrear dos pássaros é a única melodia que me acompanha e, por momentos, deixo-me a saborear o silêncio da nossa casa antes de me render ao sono quebrado pelo riso da minha filha há uma hora atrás. 

28 de novembro de 2016

De sempre

Sei que serás para sempre o amor da minha vida, quando olho nos teus olhos e a felicidade espelhada nesse verde escuro tem o nome da nossa filha gravado.

Soube que serás para sempre a pessoa que melhor me compreende, quando nem eu me soube explicar o porquê de me ter tornado uma pessoa fria e distante.

Sei que és tu quem eu quero a meu lado porque, apesar de tudo, nunca me deixaste para trás. Nunca me deixaste ficar para trás. 

29 de outubro de 2016

Batimentos

Há coisas inexplicáveis.

Tão e só isso: inexplicáveis. Não poderiam ser de outra forma, ou deixariam de ser como são, assim maravilhosas, perfeitas e extraordinárias. Inexplicáveis. 

Assim o são os milagres. E tu és o nosso, meu amor. O nosso pequeno grande, gigante milagre! 

21 de outubro de 2016

Absoluto

Tantas vezes que tento falar-te, e tantas mais vezes me falha a voz quando me quero dirigir a ti. Acho que finalmente compreendo a verdadeira incapacidade de expressar o que nos vai no coração. 

A verdade é que não encontro as palavras certas a dizer-te; ou pelo menos as que sejam suficientes para dizer que te amo; o quanto te amo. E amo-te tanto, mas tanto. Isso é certo, e nunca poderei errar ao dizê-lo. Mas também nunca chegará. Nunca será suficiente.

12 de setembro de 2016

Amar(-te)

O amor é tão fácil.
Mas amar é tão difícil.

É difícil porque nem sempre as palavras refletem o que nos vai na alma. É difícil porque nem sempre os gestos chegam para mostrar o que as palavras calam. É difícil porque raramente nos sabemos amar antes de querer dar amor.

Mas foi a amar(-te) que aprendi a amar-me...

5 de setembro de 2016

Entendimentos

Percebi que não era eu que te fazia feliz quando os teus olhos brilharam com a melodia de um nome que não o meu. 

Percebi que nunca iríamos conquistar o mundo lado a lado, quando tantas vezes o teu silêncio tomou o lugar da tua presença.

4 de agosto de 2016

Propósito

Perdi a conta às vezes em que me deixei vencer pelos percalços da vida. Questionei-me demasiado tempo sobre o que devia fazer neste mundo.

Lutei incontáveis vezes contra o rumo dos meus dias, achando que nada mais restava para esperar.

Mas faltavas tu. O meu propósito. O meu único e verdadeiro amor. Procurei por ti durante tanto tempo, meu tesouro! Mas tu não chegavas.

22 de julho de 2016

Meu tudo

Segura-me.

Segura-me nos teus braços até que o mundo pare de girar. Segura-me esta alma inquieta que apenas encontra descanso no carinho dos teus olhos. Nesses olhos que me vêm como verdadeiramente sou. 

13 de julho de 2016

O teu cheiro

Hoje preciso do teu abraço.

Preciso que me apertes todos os cantos e que me segures o chão debaixo dos pés. Este chão que teima em fugir a cada passo que te procuro, por este caminho em que a saudade teima em estar presente.

7 de julho de 2016

Sem destino

Quero sair daqui.

Quero pegar na minha mala, escolher um livro, e fazer-me à estrada. Quero pegar na tua mão, escolher as palavras certas e fazer-me à incerteza que nos espera. Porque a única certeza que me basta és tu.

17 de junho de 2016

E então ficámos três

Sou pessoa que gosta de tempos solitários. Gosto de ficar sozinha com o barulho dos meus pensamentos, sentar-me no miradouro a contemplar o Tejo inundado de recordações, jantar sozinha a ler um livro e nem me aperceber que a comida ficou fria.

Mas não sou, e nunca fui, fã da solidão.

15 de junho de 2016

Juro

Juro.

Juro que te quero, preciso e amo. Não sei como me permiti isso, mas é certo que te sinto a falta todos os dias. 

Juro que te penso todas as noites, dias e finais de tarde. Não sei porquê, mas as tuas mãos esguias e os teus beijos sorrateiros dão cor aos meus anos que vão passando.

18 de maio de 2016

Fim

Procuro-te por todos os cantos onde nos refugiávamos, sabendo que não estás mais aqui. 

Em todo o lado revejo o que fomos e por isso me é difícil aceitar um fim que não vimos chegar.

10 de maio de 2016

Dias de chuva

Sinto-a como sinto a chuva. Inconstante, fria e irremediavelmente precisa. 

Não interessa que seja tempo de calor, porque o tempo da chuva é quando ela quer. E o tempo dela é quando ela quer também.

4 de maio de 2016

Espécie de amor

Eu não te amo, mas olhei para ti e quis que fosses minha. Chama-lhe capricho, vontade ou até vazio a preencher com amores fugazes por ausência de amor próprio.

Não me importo. É que achei-te uma mulher rara, e por isso te roubei.

22 de abril de 2016

Para sempre minha

Já troquei beijos com centenas de mulheres. Já levei outra centena delas para a minha casa. Tive dezenas de mulheres na minha cama e cansei-me com mais de metade delas. Esqueci-me de quase todas na manhã seguinte. Mas a ela nunca esquecerei.

6 de abril de 2016

Uma lembrança de ti

Acordo só e com a luz da manhã que me invade o quarto ausente de ti. 

A cama parece-me demasiado grande, a janela parece demasiado aberta, e o sol brilha demasiado para os meus olhos cansados de enfrentar noites também essas demasiado claras. 

16 de março de 2016

Fundamentalidade

Convidei-te para um café na minha casa, sabendo que acabaríamos despidos. 

Abri-te a porta com o meu falso ar desinteressado, e beijei-te suavemente os lábios, atiçando ainda mais a vontade de te querer.